Nada por causa de ninguém

“A realidade do Evangelho[bb] estabelece como essência indiscutível e inquestionável que a nossa referência não deve ser o outro, para comparação de natureza alguma. Não temos de melhorar por causa do outro, não temos de ser coisa alguma por causa do outro. Não temos de ser “por causa” do outro. Temos de ser em Deus. E se não nos amarmos a nós mesmos em Deus, não amaremos a ninguém.

Se não pudermos experimentar o bem de Deus em nós, não haverá bem em nós para ninguém.

Se não pudermos ser o primeiro beneficiário da vida, não haverá vida em nós para ninguém mais.

De modo que o caminho do amor não é um caminho que olha para o outro enquanto destrói a si mesmo; da mesma forma que o caminho do discípulo não é um caminho que se compare com outro na perspectiva de melhorar por casua dele.

Não dá para ter o outro como referência de melhora existencial; isso significaria corrupção do próprio ser.

Podemos até esconder isso atrás de supostas virtudes: eu quero ser melhor do que os melhores – diria o virtuoso, ético. Ou ainda: eu quero ser como os melhores, crendo que daria o pulo do gato, sem perceber que apenas faria a viagem da inveja sob o manto e o disfarce das unções virtuosas, mas que estaria era perdendo a grande possibilidade da vida, que é ser ele mesmo em plenitude, segundo Deus, segundo Cristo; estaria era perdendo a grande possibilidade de abraçar o fato de que a melhor versão dele é ele em plenitude de si mesmo em Deus, explodindo; não por causa da provocação do outro, nem por causa da compraração com ninguém.”

Caminho do Discípulo 2 – Trecho Capítulo 10

Caio Fabio

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